A gastronomia amazônica defendida por Paulo Anijar vai além do prato e da técnica. Mais do que isso, para o chef paraense, cozinhar é um gesto de pertencimento, memória e compromisso com a floresta. Nesse sentido, sua atuação conecta cultura, sustentabilidade e identidade territorial, reforçando o papel da cozinha como ferramenta de transformação social.
A Amazônia como identidade na cozinha
“A Amazônia não é só ingrediente, é identidade”. Assim, a frase resume a trajetória do chef Paulo Anijar, construída a partir do território, da escuta e do respeito à floresta. Além disso, reconhecido como um dos principais nomes da gastronomia contemporânea do Norte do Brasil, ele defende uma cozinha que valoriza saberes tradicionais, ingredientes nativos e a biodiversidade amazônica como patrimônio cultural.
Ao mesmo tempo, sua proposta vai além da estética culinária. Dessa forma, a gastronomia praticada por Anijar assume também um papel político e ambiental. Para o chef, cada escolha feita na cozinha comunica uma visão de mundo e, consequentemente, pode fortalecer cadeias produtivas locais e práticas sustentáveis.
Projeção nacional e internacional
Nesse contexto, à frente dos restaurantes Santa Chicória e Com’è?! Ristorante, Paulo Anijar tem levado os sabores amazônicos a espaços de projeção nacional e internacional. Um dos momentos mais simbólicos, por exemplo, foi o jantar preparado para a Rainha Mary, da Dinamarca, durante a COP 30, realizada em Belém.
Na ocasião, ingredientes amazônicos ocuparam uma mesa de relevância global. Assim, a gastronomia passou a dialogar diretamente com temas como preservação ambiental, cultura e sustentabilidade, ampliando o debate sobre o papel da Amazônia no cenário internacional.
Cozinha, sustentabilidade e pertencimento
Por outro lado, o chef também chama atenção para os desafios de empreender no setor gastronômico sem romper com as raízes culturais locais. Segundo ele, cozinhar na Amazônia exige responsabilidade, pois envolve comunidades tradicionais, produtores locais e o equilíbrio do bioma.
Além disso, Anijar destaca que cada prato carrega histórias e memórias. Por isso, preservar a floresta e valorizar quem vive nela é, acima de tudo, um compromisso com as próximas gerações.
Narrativa compartilhada no Biodiversa Podcast
Por fim, essas reflexões foram compartilhadas em conversa com Nélia Rufeill e Poliana Bentes, em episódio já disponível do Biodiversa Podcast, ampliando o debate sobre gastronomia, território e identidade amazônica.
