Conceitos matemáticos tradicionalmente associados à arte, à arquitetura e à natureza estão
começando a despertar interesse também na área da nutrição esportiva. A chamada Razão
Áurea, representada pelo número aproximado de 1,618, e a sequência de Fibonacci vêm
sendo estudadas como possíveis ferramentas para organização do planejamento alimentar
e otimização do desempenho físico.
Uma revisão da literatura científica, apresentada no V Congresso Internacional em Ciências
da Saúde Única (CICISU), analisou pesquisas publicadas entre 2010 e 2025 em bases
como PubMed, Scopus, Web of Science e Cochrane Library. O objetivo foi avaliar se
proporções consideradas harmônicas na natureza podem contribuir para melhores
respostas metabólicas, recuperação muscular e assimilação de nutrientes no contexto
esportivo.
Os estudos revisados sugerem que a aplicação da Razão Áurea na distribuição de
macronutrientes pode favorecer o desempenho atlético. Proporções aproximadas de 55%
de carboidratos, 34% de proteínas e 21% de gorduras mostraram-se compatíveis com
dietas equilibradas e metabolicamente eficientes, promovendo respostas mais estáveis
durante o treinamento e a recuperação.
Além da composição da dieta, os dados indicam que a organização das refeições ao longo
do dia, baseada em proporções harmônicas, pode contribuir para melhor sincronização com
o ritmo circadiano. Essa abordagem estaria associada a melhora na recuperação muscular,
maior eficiência metabólica e benefícios para a saúde geral do atleta.
Alguns modelos de treinamento analisados também exploram a lógica da Razão Áurea na
periodização do esforço físico, propondo, por exemplo, intervalos de descanso a cada 1,618
dias de treino intenso. Esses modelos apresentaram resultados superiores quando
comparados a métodos tradicionais, especialmente em indicadores de desempenho e
recuperação.
Outro ponto destacado pelos estudos é o uso dessas proporções na organização visual de
conteúdos educativos e planos alimentares. A estruturação harmônica das informações
facilita a compreensão, a assimilação e a adesão às estratégias nutricionais, tanto por
atletas quanto por praticantes recreacionais.
Apesar dos resultados positivos, os próprios autores reforçam que essa ainda é uma
abordagem em consolidação. São necessárias investigações adicionais, com validações
empíricas mais amplas, para confirmar a eficácia dessas estratégias em diferentes
modalidades esportivas e perfis populacionais.
A integração entre matemática, biologia e nutrição esportiva surge como uma proposta
inovadora, abrindo novas possibilidades para o planejamento dietético e o desempenho
físico, desde que aplicada com critério científico e responsabilidade profissional.
*Rodrigo Baracho, docente de Nutrição da Faculdade Serra Dourada Lorena/SP
