O financiamento de veículos no Brasil atingiu um patamar histórico em 2025 e deve manter ritmo elevado ao longo de 2026. Dados da B3 mostram que mais de 6 milhões de veículos foram financiados entre janeiro e outubro deste ano, o melhor resultado para o período em mais de uma década. O crescimento foi impulsionado, principalmente, pela forte demanda por veículos seminovos, que concentraram a maior parte das operações.
O desempenho reflete a combinação entre maior acesso ao crédito automotivo e a reorganização do consumo das famílias, que passaram a buscar alternativas para a troca ou aquisição do veículo, mesmo diante de um cenário de juros ainda elevados. Os veículos novos também apresentaram avanço consistente, indicando recuperação gradual do mercado.
Crédito automotivo deve permanecer forte em 2026
Especialistas avaliam que a tendência de alta deve se estender para 2026, especialmente com a entrada de recursos extras no orçamento das famílias, como 13º salário, bônus corporativos e rendimentos sazonais. No entanto, o cenário exige atenção redobrada ao planejamento financeiro, para evitar o comprometimento excessivo da renda no médio e longo prazo.
Segundo Alexsandra Luiz, gerente de operações de negócios da Sicoob Coopmil, a decisão de financiar um veículo deve considerar fatores que vão além do valor da parcela mensal. “É fundamental comparar taxas, analisar o Custo Efetivo Total, definir uma entrada adequada e compreender como o prazo influencia diretamente o valor final do veículo. Quando a escolha se baseia apenas na parcela, o risco de desequilíbrio financeiro aumenta”, alerta.
Financiamento ou consórcio: escolha depende do perfil
A especialista destaca que o momento da compra e o grau de urgência são determinantes na escolha da modalidade de crédito. “Para quem precisa do veículo imediatamente, o financiamento pode ser uma solução viável, desde que as parcelas estejam dentro da capacidade de pagamento. Já quem consegue planejar com mais calma pode optar pelo consórcio, que tende a reduzir custos por não envolver juros”, explica.
O avanço do crédito automotivo, segundo Alexsandra, evidencia a importância da educação financeira contínua. “O crédito é uma ferramenta importante quando está alinhado à realidade financeira do consumidor. O problema surge quando não há clareza sobre limites de renda, prazos e custos envolvidos”, completa.
Consumo em alta exige organização financeira
Com perspectivas positivas para o próximo ano, o financiamento de veículos segue como um dos principais termômetros do comportamento do consumidor brasileiro. O cenário reforça a necessidade de organização financeira, para que a decisão de compra não comprometa o orçamento familiar e permita um consumo mais consciente e sustentável.
