F.O.M.O: quando o medo de “ficar de fora” afeta a saúde mental e a relação com as redes sociais

Médico alerta para os efeitos psicológicos da F.O.M.O, síndrome cada vez mais presente entre jovens e adultos, marcada pela ansiedade em acompanhar tudo o que acontece no ambiente digital.

Matheus Freire
F.O.M.O: quando o medo de “ficar de fora” nas redes começa a afetar a rotina e o bem-estar.

Sentir que está perdendo algo é um incômodo comum. Porém, quando essa sensação se torna constante e passa a influenciar a rotina, ela pode ser um sinal da F.O.M.O (Fear of Missing Out), conhecida como “medo de ficar de fora”. A síndrome se manifesta pela necessidade contínua de checar notificações, acompanhar publicações e participar de todas as interações nas redes sociais.

Segundo o médico Rafael Braga, trata-se de um fenômeno que tem crescido junto com a centralidade das redes no cotidiano.
“Fear of Missing Out, ou ‘medo de ficar de fora’. É aquela sensação de que algo interessante está acontecendo e a gente está perdendo. Há uma epidemia de casos onde as pessoas se sentem ansiosas, checam o celular o tempo todo e têm dificuldade de relaxar”, afirma.

A comparação como gatilho de ansiedade

As redes sociais funcionam como uma vitrine de conquistas e momentos felizes. Esse recorte limitado favorece comparações que podem distorcer a percepção da própria vida.
“As redes são um gatilho forte. Elas mostram uma versão distorcida da vida. Não é que o outro viva melhor, mas o cérebro acredita nisso e a comparação se torna constante”, completa Braga.

A partir disso, a pessoa pode desenvolver insegurança, baixa autoestima e uma busca permanente por validação externa, como curtidas e comentários.

Sinais que merecem atenção

Entre os principais sintomas da F.O.M.O estão:
• uso excessivo do celular, inclusive em momentos que deveriam ser de descanso ou convivência;
• dificuldade de se concentrar no momento presente;
• ansiedade ao se desconectar ou ficar sem internet;
• alteração no humor e no sono.

Rafael reforça que “é como se o corpo e a mente estivessem sempre em alerta, esperando o próximo acontecimento”.

Riscos à saúde mental

A médio e longo prazo, a F.O.M.O pode evoluir para quadros de ansiedade crônica, cansaço constante e, em alguns casos, sintomas depressivos.
“A pessoa vive tentando acompanhar tudo, mas acaba se desconectando de si mesma”, alerta o médico.

Embora jovens estejam mais expostos, qualquer pessoa pode desenvolver a síndrome, especialmente quem já possui traços de ansiedade ou perfeccionismo.

Caminhos para o equilíbrio

A orientação inicial é criar pequenas pausas na rotina digital.
“Comece com pausas pequenas: deixar o celular longe nas refeições, silenciar notificações e definir horários para checar redes”, sugere Braga.
Ele também destaca a importância de atividades que favoreçam presença, como leitura, caminhadas e conversa presencial.

Quando o uso das redes começa a causar sofrimento ou a interferir no sono, humor e relações pessoais, buscar acompanhamento profissional é recomendado.
“Se desconectar não pode ser motivo de angústia. Quando isso acontece, é hora de conversar com um profissional de saúde mental”, afirma.


“Ninguém consegue estar em tudo e tudo bem. A vida acontece no presente, nas conexões reais”, finaliza Rafael.

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